Carta aos profissionais de Comércio Exterior

Carta aos profissionais de Comércio Exterior

Nós também somos responsáveis pelos resultados do comércio exterior brasileiro.

Nós, profissionais de comércio internacional, também somos responsáveis pelos resultados do comércio exterior brasileiro. Indiretamente, porque não nos organizamos ativamente e não atuamos no planejamento e gestão do comércio exterior – na grande maioria das vezes torcemos para que os agentes governamentais adotem as políticas certas. Diretamente, porque atuamos bem pouco de forma coletiva como empresas e agentes de comércio internacional.

Ao fazer as mesmas coisas sempre, não se pode esperar resultados diferentes.

O Brasil tem 12,4 milhões de empresas, sendo 1,1 milhões de empresas industriais. Mas o comércio exterior brasileiro se limitou a 40.000 empresas nos últimos 12 anos, sendo 15.000 exportadoras e 25.000 importadoras. No entanto, pesquisas da FIESP já mostravam que as empresas não exportam por desconhecimento de mercados (63%), dificuldades de comunicação (62%) e desconhecimento de rotinas e procedimentos (49%), mas a grande maioria gostaria de exportar (86%). Isto deixa a lamentável constatação de que temos um enorme e poderoso mercado para exportar e importar, mas este mercado não está minimamente capacitado!

Nossas empresas supridoras de serviços para o comércio exterior, como bancos, transportadores, seguradoras, embarcadores, despachantes e consultores, entre outros, disputam um mercado de 40.000 clientes há 12 anos, quando poderiam estar trabalhando com um mercado de 900.000 empresas!

A pequena empresa não vai se capacitar sozinha seguindo manuais complicados, pesquisando no Google, ou fazendo cursos relativamente caros sobre INCOTERMS ou classificação fiscal. Elas não têm tempo e nem dinheiro. Elas só precisam de informações completas que lhes permitam experimentar o contato com o comércio internacional de forma simplificada e objetiva.

Nós, da Intradebook, tomamos a iniciativa de desenvolver um projeto para Inserção de Pequenas Empresas no Comércio Internacional que pudesse ser GRATUITO, que fosse escrito em três idiomas e que fosse uma solução para os problemas de comércio exterior: mercados + comunicação + rotinas. E que, além disto, também facilitasse o acesso direto aos operadores de serviços. Finalizamos o projeto com três módulos:

INTRADE: Guia prático de exportação e importação, com rotinas e procedimentos.

INBUSINESS: Buscas de mercados, clientes e fornecedores.

INSERVICE: Busca de operadores de serviços e logística para o comércio exterior.

O projeto foi aprovado pela FINEP e SEBRAE, e selecionado como uma das iniciativas mais inovadoras por várias instituições. Atualmente já possui usuários de 49 Países.

Carta aos profissionais de Comércio Exterior

Entretanto, o envolvimento dos profissionais do comércio exterior brasileiro é fundamental para alcançarmos as 900.000 pequenas empresas industriais e criar mercado para milhares de empresas e profissionais de comércio internacional – alguns hoje em busca de novas colocações ou sem perspectivas futuras.

Nós podemos ajudar os nossos profissionais e ajudar milhares de empresas – e ajudar o Brasil a  aumentar sua participação no comércio mundial.

 

Alfredo Kleper Lavor
Economista
Fundador da Intradebook

94 Responses to “Carta aos profissionais de Comércio Exterior

  • Rafael Wunder
    3 anos ago

    Ótimo texto Alfredo,

    Nestes meus 12 anos de experiencia na área de comércio exterior eu noto que o governo Federal sempre mexe nos programas de incentivo a exportação e faz uma bela propaganda na mídia porem colocar os recursos para a pratica, são poucas as vezes que acontece.
    Temos que ver mais medidas para facilitar os tramites de exportação, foi ótimo que os correios estão fazendo alguns processos, porem há agencias dos correios que os profissionais que trabalham nelas não tem o devido preparo para atender o publico.
    Vejo a FIESP emplacando varias iniciativas para a mudança do nosso governo, porem eles poderiam ver nas suas unidades e ou empresas da mesma categoria para colocar profissionais e medidas de trabalhos semelhantes, pois você vai numa CIESP que dão toda assessoria para os pequenos empresários porem há outras unidades que não dão o suporte devido, temos que igualizar as medidas.
    Outro ponto e crucial que impacta nas importações e exportações é o custo logístico do Brasil que muitas vezes encarece o produto final, temos que ter malha férrea que possa atender o Brasil todo e evitar a dependência do modal rodoviário, que há um alto custo.
    Temos que ter a tributação igual entre os estados do ICMS, pois sempre há essa briga entre estados e muitos profissionais de comex, fiscal e contábil que desconhecem a fundo a legislação e acabam fazendo operações em outros estados e no final de um certo tempo a empresa sofre uma atuação do fisco estadual querendo a sua parte no ICMS na operação.
    Até mesmo nos profissionais de Comex mais experientes há situações que não temos o todo o conhecimento e quando houve o boom econômico aqui no país as empresas segmentaram as atividades dos departamentos e com isso uma pessoa gerava o pedido de compra, outro cuidava do follow up do processo, outro cuidava da parte operacional do processo e outra que acompanhava a operação e hoje muitas empresas tem a operação bem enxuta que acabam querendo um profissional que faça tudo e nisso o profissional fica limitado nas atividades.
    Esses são os meus pontos de vistas.

  • Alex
    3 anos ago

    Sem uma profunda reforma tributária, não vejo como possível a expansão substantiva das exportações. Além disto, deve-se sempre ter em mente que o mercado exportador é geralmente menos lucrativo do que o mercado interno, de modo que o interesse em exportar só surge quando o mercado interno está em baixa. Por fim, não é um software de comércio exterior que fará uma empresa negociar ou solucionar problemas na arena de comércio exterior.

  • Rafael, como sempre seus comentários muito bons refletem uma preocupação global quanto às atividades de comércio exterior no Brasil. Economia macro observações para as políticas governamentais e visão da micro economia para as atividades dos profissionais de comércio internacional nas empresas. O Brasil precisa ter um comércio exterior maior, bem maior. E para ter isso, há necessidade de bons profissionais de comércio internacional e nós temos estes profissionais.
    O que falta para os profissionais de comércio exterior é valorizar a atividade, debater mais, ajudar no crescimento um do outro. Enfim, falta sermos mais corporativos, no bom sentido, onde a soma dos fatores representa um resultado muito maior.
    Abraços.
    Alfredo Kleper Lavor

  • Eduardo Giudice
    3 anos ago

    Olá Alfredo,
    Fico contente em ver um profissional dessa área, que considero desunida, tomar uma atitude de construir, de agregar. Achei ótimo os seus dados sobre o enorme potencial que temos para trabalhar mas gostaria de pontuar detalhes não mencionados:
    O governo passado desprestigiou muito o “trader” querendo que o pequeno e médio empresário fosse à luta sozinho, dispensando “atravessadores” (nós).
    Uma vez tive um embate em uma apresentação de funcionários do Banco do Brasil na Associação Comercial da Bahia e fiz uma pergunta a eles: Quanto tempo uma empresa leva para ter um produto capacitado a exportar (isso vale para industrializados ou não) ? !0 anos? Sabe quanto tempo leva um trader para estar capacitado a assumir a responsabilidade de exportar? Pelo menos uns 15 anos. Levamos uma vida para dominar outro(s) idioma(s) , costumes, posturas pessoais em um relacionamento comercial, aprender a separar o “joio do trigo”, etc,etc. Costumo dizer, que quem quer aprender a jogar futebol, jamais vai aprender lendo livros. Tem que ir a luta. Ação do trader e não do fabricante. Existem mais trapaceiros ou mal pagadores no exterior do que aquí no Brasil e o pequeno e médio produtor vira alvo fácil de uma picaretagem. Eu tenho inúmeras estórias para contar de casos como esse – o do produtor tentar ir à luta por conta própria. Tenho mais de 20 anos de comércio internacional, conheço e já transacionei com mais de 30 países mas simplesmente, as empresas preferem correr o risco sozinhas. Fico chocado. Um médico pediatra não está apto a operar um coração. Um engenheiro não foi treinado para ser decorador nem uma bailarina a ser cantora.
    Querer que um plantador de mangas vá lá para fora exportar suas mangas só porque o governo ensinou é uma UTOPIA. Desculpe a expressão mas cada macaco no seu galho. Ficaremos sempre na rabada do comércio internacional se as ações continuarem nesse sentido. Gostaria de trocar mais idéias com você. Caso possamos conversar por telefone (whats app) , o meu (é da Claro) é número (71) 9 9964 9693. Seria um prazer. Parabéns pelo texto e pela iniciativa. Abraços.

  • Prezado Alex, permite-me comentar suas duas questões?
    1) A reforma tributária praticamente não é impedimento para o comércio exterior, porque não exportamos impostos (diretos). Há um reflexo econômico maior e natural pelo custo do país, pelo custo trabalhista, pela inflação e pelo câmbio. Na importação, sim, temos gravames enormes.
    2) Se o software de comércio internacional se propor a capacitar, treinar e simular operações internacionais, as pequenas empresas terão uma forma muito menos burocrática de obterem este conhecimento. E o software se além disto for gratuito, mais fácil fica as empresas adquirirem o mínimo de conhecimento para quando procurarem um Consultor ou uma Trading os procurarem com um uma linguagem mais avançada. O software não substitui o Consultor – o software cria mais potencial para o mercado.

  • Monica Fabretti
    3 anos ago

    Concordo com o Rafael no que tange o diferencial de alíquota do ICMS entre os estados. Essa diferença transforma a oferta desleal, impossibilitando que alguns estados sejam competitivos o suficiente para exportar, afetando diretamente no custo do produto e acabando por desestimular essa atividade. Moro no MS e apesar de sermos grandes produtores de soja e milho, as empresas aqui voltadas para a exportação não trabalham com as commodities daqui! Temos atravessadores no MT, PR e SP que providenciam o produto comercializado e já as direcionam para o porto. Os produtos agrícolas daqui são em sua grande maioria comercializados no mercado interno.
    Essa dificuldade acaba por prejudicar diretamente a nós, os profissionais de comércio exterior, pois há uma escassez muito grande de oferta de trabalho. Eu por exemplo já não encontro trabalho na area há dois anos e se quiser continuar no setor provavelmente terei que me mudar daqui!
    Triste realidade…

  • Trabalho no ambiente das PME’s desde 1999, e em 2012 fui presidente no Núcleo de Internacionalização da AJORPEME, maior associação de PMEs da América Latina, mas ao longo desses anos os problemas se repetem. As PMEs são muito enxutas e geralmente não contratam profissionais especializados em comércio exterior. Também não costumam efetuar planejamento estratégico, buscando apenas operações oportunistas (quando câmbio está atrativo) nas exportações esperando lucros no curtíssimo prazo. Sem conhecimento técnico, com visão de curto prazo e pela falta de investimentos nos projetos e processos internos, os resultados não poderiam ser diferentes, não conseguem decolar nas atividades internacionais.
    Essa ferramenta disponibilizada GRATUITAMENTE, atenderá uma lacuna importante, disseminando conhecimento e ajudando esses empreendedores no entendimento desse universo de atividades. Aliada ao planejamento estratégico esse software será fundamental para uma mudança imprescindível ao sucesso nas exportações ou importações. Parabéns Alfredo por mais essa iniciativa louvável.

  • Boa tarde, Eduardo.

    Foi bom você ter mandado seu telefone, pois tive uns contatos em Brasília e pensei em você como alguém que poderia fazer a diferença para o comércio exterior em Brasília. Vamos ficar em contato. Meu telefone é (048) 9931-0745 e meu e-mail pessoal é kleperlavor@intradebook.com.

    Com relação à primeira de suas observações, acho que os servidores públicos do comércio exterior, embora a maioria seja esforçada, não têm a experiência direta de comércio internacional. E só se faz comércio exterior bom se tem experiência em comércio internacional. Se não, fica-se só na teoria. Também noto uma certa prepotência nos servidores dos órgãos federais e estaduais que tratam do comércio exterior (note que uso o termo “servidor público”).

    Sobre a segunda observação, o micro e pequeno empresário precisa ser capacitado, ser aculturado para saber o básico do comércio internacional. E é isto que objetivo com nossa Plataforma Intradebook. Mas – e sempre recomendo isto – quando a coisa começa a ficar mais complexa o MPE deve procurar um consultor, mas este consultor também tem que ser acessível e ter custo acessível.
    Sempre achei o trader uma função extremamente importante para o comércio exterior, quase que vital e a Plataforma Intradebook tem por finalidade preparar o MPE nos conhecimentos básicos de comércio internacional – e com isto potencializar o mercado – para quando for conversar com prestadores de serviços (consultores, despachantes, transportadores, seguradores e outros) saber construir o assunto. O trader, neste processo, é uma fase necessária, mas na sequência. Concorda?

    Há tanto que se fazer no comércio exterior, mas insisto: deve-se começar fomentando a cultura exportadora. Fomentar massivamente, e não com cursinhos de 20 pessoas em Florianópolis, 18 em Belém, 30 em São Paulo e por aí. Neste ritmo vamos levar milênios – e aí, talvez nem exista mais Brasil.

    Por último creio que nós todos de comércio exterior gostamos e temos muito a debater. Por isto prego esta maior aproximação dos profissionais de comércio exterior. Quer queiram ou não, são uma elite de profissionais – pela necessidade de formações complementares – que podem fazer a diferença de uma empresa ou de um país.

    Abraços,

    Alfredo Kleper Lavor

  • Marcelo de Souza Oliveira
    2 anos ago

    Prezado Alfredo….Parabéns pela iniciativa.
    Também milito junto a PMEs na assessoria a internacionalização destas.
    Um detalhe: na aba “para quem” do Intradeweb, o link correto para localizar embaixadas é: http://www.embassyworld.org (não é .com).

    Saudações a todos os profissionais colegas de batalha pelo crescimento do comex brasileiro, que ainda nos salvará..

  • Prezado Marcelo, obrigado pelas observações. Quando e como quiser contribuir serão sempre bem vindos. Atenciosamente. Alfredo Kleper Lavor

  • Eduardo Giudice
    2 anos ago

    Caro Alfredo,

    Como já registrei, gostaria muito de “somar” para a construção dessa plataforma. Seu post, é alentador.

    Abcs,

    Eduardo Giudice

  • Eduardo, te ligo esta semana ainda. Abraços. Alfredo Kleper Lavor

  • Marcos Emerim
    2 anos ago

    Olá Alfredo,
    Excelente iniciativa. Trabalhei em uma grande multinacional de logística por mais de 10 anos. Representando a aérea de vendas de serviços de transporte internacional e Desembaraço Aduaneiro atendia a região sul + Rio de Janeiro. Me coloco a disposição para colaborar no seu projeto.
    Parabéns!!!
    Abs
    Marcos Emerim

  • Prezado Marcos Emerim, obrigado pelas palavras. Nosso projeto é para ajudar no crescimento do comércio internacional das pequenas empresas e, por consequência, ajudar no crescimento do mercado para os profissionais de comércio exterior. Abraços.

  • Luiz Souza
    2 anos ago

    Trabalhei por 20 anos em comércio exterior, sou do tempo da Cacex e posso até dizer que houve alguma evolução com o advento do siscomex e outros, más ainda existem muita burocracia e fica a impressão que o que se quer é criar dificuldade para se vender facilidade e quem vive de comércio exterior sabe ainda tem muito a ser feito e uma boa ferramenta é a participação de setores da economia, industria e outros orgãos como Ciesp, Fiesp e etc.
    Acho a sua iniciativa é um grande avanço e penso que o País precisa ter mais participação de grupos, associações em tamas relevantes a este segmento.
    O País não vai aumentar sua participação drasticamente, sem que sejam revistas as politicas econômicas, novas participações em novos mercados, más quando isto acontecer, cabe a nós termos ferramentas que facilitem as pequenas empresas participarem deste crescimento.
    Estamos na região metropolitana de Campinas um dos maiores mercados de comex no Brasil e pudermos contribuir de alguma forma, estamos a disposição.

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